Reginaldo Faria volta ao cinema aos 88 anos: tudo sobre o novo filme em família, a vitalidade do ator e o legado do Cinema Novo.
Galeeera, vem que tem! Reginaldo Faria volta ao cinema aos 88 anos e chega com tudo, na frente das câmeras ao lado dos filhos. A notícia já corre pelas redes e pelos corredores do cinema brasileiro: o veterano mantém a energia que o manteve relevante por décadas, desmentindo qualquer ideia de aposentadoria precoce. O novo projeto, apresentado em primeira mão no Festival do Rio 2025, é uma ode à memória do Cinema Novo e, principalmente, à união familiar que sempre o cercou.
O longa “Perto do Sol é mais claro” é uma produção que junta Régis Faria (filho mais velho) na direção e roteiro, e Reginaldo atua, compõe a trilha e participa ativamente de todos os departamentos criativos. A escolha de gravar em preto e branco dá um tom atemporal, que casa com a ideia de vida que o ator transmite ao longo das entrevistas. A história acompanha um engenheiro de 85 anos, lidando com o luto, a solidão e a tentativa de escrever seu primeiro livro, enquanto encara uma sociedade que insiste em vê-lo como alguém fora de período.
Trabalhar em família não é novidade para os Faria. Régis foi assistente de direção em trabalhos do pai na TV Globo, como as minisséries “Boca do lixo” (1990) e “Contos de verão” (1993), além da novela “Lua cheia de amor” (1990). Marcelo fez sua estreia como ator aos 12 anos na minissérie “A máfia no Brasil” (1984), protagonizada pelo pai e dirigida pelo tio Roberto e pelo primo, Maurício Farias. Carlos André Faria também já foi dirigido pelo pai, em “O carteiro” (2011), que traz Marcelo no elenco. O novo longa, exibido em festival e com lançamento nos cinemas, reforça a ideia de que o talento passa de geração para geração.
O elenco é completo com a presença de jovens talentos da CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), de Vannessa Gerbelli e das filhas dos diretores, além de familiares próximos. A escolha de manter o ambiente doméstico como cenário natural confere a sensação de que a vida é o próprio roteiro, com objetos que contam a trajetória do ator como se fossem capítulos de uma memória coletiva.
- Régis Faria dirige, escreve e assina parte da produção, mantendo o espírito de guerrilha criativa.
- Reginaldo Faria atua, produz e assina a trilha sonora, ampliando a presença do artista em várias frentes.
- O papel das crianças da família reforça a ideia de continuidade e legado.
“Na pré-estreia, Régis deixou claro que ninguém ganhou dinheiro para fazer o filme. Mas a verdade é que ganhamos muito: foi um presente”, emociona-se Marcelo. “Foi incrível contracenar com meu pai e com meu irmão, sob a direção do meu outro irmão. Mesmo assim, não foi fácil separar o afeto da atuação.”
Reginaldo comenta a própria experiência: “Posso dizer que não foi um processo difícil, porque eu já estava dentro desse personagem. Trago as cargas que carrego, da minha solidão, da minha separação, da minha vontade de viver.” Ele acrescenta que o projeto é eminentemente artesanal e que a energia de produção remete aos tempos da guerrilha cinematográfica brasileira. E, sim, ele está pronto para continuar trabalhando sem descuidar da memória do cinema que ajudou a moldar.
Além de “Perto do Sol é mais claro”, Reginaldo Faria está em cartaz nos cinemas com a comédia “Velhos bandidos”, de Cláudio Torres, ao lado de colegas de geração como Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Tony Tornado e Nathália Timberg. O filme discute o etarismo com leveza e ironia, colocando o veterano em um eixo de debates que não para de ganhar força no cinema nacional.
“Eu não quero me deixar morrer, quero continuar vivendo. Para mim, não existe idade para morrer, então vou viver e descartar todos os olhares de invisibilidade,” afirma o ator, em discurso que parece sintetizar a energia que o acompanha nas telas e fora delas. “Se eu estiver com energia e memória, estou feliz. Eu gosto de fazer o trabalho que faço.”
Carlos André reforça a admiração pela forma como o pai mantém a lucidez: “Eu via uma entrevista dele no fim de semana e disse à minha esposa: ‘Olha como ele está bem, se comunicando bem.’ É o fruto de uma dedicação de uma vida inteira.” Ele corrige a contagem de idade do pai com humor: “Ele vai fazer 89 agora em junho. Em 90, ainda falta um pouco.”
Se Régis, Marcelo e Carlos André seguem com carreiras sólidas, o novo longa abre espaço para uma nova geração de Farias: Sofia, Felipa, Lorena e Vicente, todos filhxs de Reginaldo e François, sobrando orgulho para a família.
Todas as casas de Régis e Reginaldo servem de cenário, com o diretor mantendo os ambientes originais. A tela fica tomada por fotos de família e objetos que contam a trajetória de Reginaldo, incluindo um cartaz de “O assalto ao trem pagador” que aparece na parede ao fundo. O resultado é um filme que transborda amor e funciona como uma homenagem à história e ao talento do ator.
Os responsáveis pela direção reconhecem que o filme não é uma autobiografia, mas a linha entre ficção e realidade acabou moldando a construção do enredo de maneiras inesperadas. “30% ficção e 70% verdade” — ou o contrário —, depende do momento, dizem os irmãos, que tentam manter a essência humana na narrativa, sem perder a memória da vida do pai.
Entre os planos de Reginaldo está seguir ativo em novas telas. Além de “Por você”, próxima novela das 19h da Globo, o ator quer manter a energia que o manteve relevante. A entrevista revela um homem que, independentemente da idade, continua a buscar novos desafios e a criar histórias que conectem gerações.
Concebido como uma espécie de cápsula do tempo cinematográfica, o projeto não apenas celebra a carreira de Reginaldo Faria, mas coloca a família Faria como uma referência de união entre gerações, talento, e memória afetiva. O público que acompanhou a trajetória do ator nos anos de Cinema Novo pode ver, pela primeira vez, uma continuidade viva na tela, com novos nomes que já respiram o mesmo espírito.
Resumo: a notícia é boa, a energia é contagiante, e o cinema brasileiro ganha mais uma página de orgulho com Reginaldo Faria voltando aos holofotes aos 88 anos, em um projeto que celebra a história do cinema, o afeto familiar e a coragem de envelhecer criativamente.
Você sabia que a família Faria está preparando mais surpresas para o público? Compartilhe este babado com as amigas e venha comentar o que você acredita que essa parceria entre pai e filhos pode trazer de novo para o cinema nacional. E não se esqueça: o show continua, então fique ligado que vem mais novidades por aí!
