Impacto político-social dos quadrinhos no Brasil ganha destaque em São Bernardo: conheça o colecionador com 3.000 HQs.
Quem diria que o Impacto político-social dos quadrinhos no Brasil começa na estante de um morador de São Bernardo? Nesta matéria, vamos conhecer António Henrique dos Santos, auditor fiscal de 64 anos, que guarda 3.000 revistas e afirma que as HQs moldaram sua visão de mundo há mais de cinco décadas. Desde a infância, ele mergulhou em Mickey e Pato Donald, mas foi na década de 1970 que começou a colecionar seriamente, encontrando nos gibis uma leitura que ia além do entretenimento.
O professor Gazy Andraus, do IFSP e pesquisador do Observatório de História em Quadrinhos da USP, define as HQs como uma linguagem única que conta uma narrativa por meio de desenhos. Segundo ele, a combinação de imagem e texto facilita a compreensão, especialmente para crianças que estão introduzidas à leitura. A alfabetização icônica aparece quando a criança observa expressões, gestos e situações que acompanham o texto, ampliando o repertório cognitivo de forma natural.
Para António, o universo dos gibis é também um campo de estudo sobre questões sociais. “Aprendi a ler devido aos quadrinhos e, se hoje gosto de ler outras coisas, foi por conta deles. Você se identifica com personagens; eles ajudam em momentos de tristeza e também de alegria”, comenta o colecionador, que guarda memórias de infância entre as páginas de Tio Patinhas e Pato Donald. A paixão, segundo ele, sempre foi um motor para a curiosidade e para o debate sobre o que acontece no mundo real.
Entre as peças mais raras da coleção, Santos cita edições históricas como Tio Patinhas nº 4 (1965), Conan nº 7 (1988) e uma edição do Pato Donald de 1959. Ele também guarda a primeira edição do Doutor Estranho de 1970, comprada usada e com rabiscos que reduziram o valor da peça. Segundo o colecionador, se a edição estivesse inteira, poderia chegar a até R$ 2.000 naquele momento de valorização.
No olhar do Observatório, o Brasil teve um papel pioneiro no lançamento de HQs e de narrativas em desenhos, levando o conceito de leitura para o cotidiano de muitas famílias. Sociedades de leitores cresceram em torno de revistas e gibis, com a Turma da Mônica entre os exemplos que ajudaram na formação de leitores e na discussão de temas sociais. As histórias, segundo especialistas, servem como ponte entre lazer, educação e participação cívica, ampliando o diálogo público sobre políticas públicas e educação.
O acervo de Santos é mais do que entretenimento: ele vê nos gibis um espelho da sociedade e uma ferramenta educativa. A visão dele reforça que as histórias de super-heróis, humor e aventura podem instigar questionamentos sobre cidadania, direitos, diversidade e responsabilidade social. E, no tempo de hoje, a lembrança de personagens que enfrentam dilemas humanos faz parte de uma prática de leitura que respira educação e reflexão.
A coleção está estimada em torno de 30 mil reais, um valor que o colecionador compara, com humor, a algo além do mercado automotivo: as peças guardam história, memória e potencial educativo que vão além do preço de tabela. A comparação evidencia como a apreciação por HQs pode ter impacto cultural duradouro, especialmente quando associada a debates sobre identidade, inclusão e educação política.
Conclui-se que a paixão de Santos revela que as HQs vão além do entretenimento para se tornar instrumento de leitura crítica, educação visual e engajamento social. O Brasil teve, de fato, um papel relevante na história das quadrinhos, com exemplos como a Turma da Mônica e outras publicações que contribuíram para a educação de leitores e para o debate público sobre políticas públicas e inclusão social.
Você curtiu esse babado literário? Comenta qual HQ você acha que mais influenciou a educação no Brasil e não esquece de compartilhar esse texto com as amigas. Vai lá, baixa o ego do leitorado e espalha essa fofoca dos gibis: compartilhar é quase uma forma de ativismo leve, e aqui o impacto político-social dos quadrinhos no Brasil merece ficar em alta!
